o oposto do que eu disse antes

– Tá vendo? As coisas estão por aí e a gente não vê. Sabe por quê? Preconceito. As pessoas só querem ver o que deixam. É preguiça e preconceito. É por isso que eu gosto de Raul Seixas. Eu não gosto de uma opinião formada. Tá mais calmo? Pois bem. Ali, ói. Ali é um elefante. Essa aí é que foi foda. Mas eu não conseguia ver nem com a bexiga! Eu olhava, olhava… Só se for um elefante que não existe mais. Eu dizia pros velhos que me amostravam. Aí, um dia eu tinha fumado bem a erva, sabe? E fiquei admirando, admirando… Aí, percebi que era um elefante afundado na água. Tá vendo? A água no meio dele e a tromba saindo. Vê a orelha do bicho! Rapaz, foi feito uma alucinação. Porque eu pensava assim: se aquilo sempre esteve ali e eu nunca consegui ver, quanta coisa num existe pelo mundo que tá embaixo do nariz e a gente nem nem? O negócio é o seguinte: cabeça aberta e estar alerta. Se a gente pisa sem jeito, pode escorregar na imaginação. Mas é lindo, né Jonas? E é tudo seu. Mesmo que você não queira.

(Zé Elétrico, interpretação de José Dumont)

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Árido Movie, 2006

direção: Lirio Ferreira

a postos da espera

“Os dias passam, meu corpo apodrece. Corpos apodrecem. Por isso nada sou senão palavras. Quando escrevo, me afirmo. Quando falo, ganho sentido. Quando penso, ganho corpo. Meu corpo é letra e linha. Meu corpo palavra.”

(Camila, interpretação de Leandra Leal)

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Nome próprio, 2007

direção: Murilo Salles

percepção da verdade

– Léa, talvez possamos recomeçar a nossa vida.

– Só temos 10 anos.

– Sim, ainda não é tarde.

(Léon e Léa, interpretação de Antoine L’Écuyer  e Catherine Faucher)

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Não sou eu, eu juro!, 2008

direção: Philippe Falardeau

virtude do inútil

*Sugestão de Felipe Augusto

“o olho vê

a lembrança revê

e a imaginação transvê

é preciso transver o mundo”

(As lições de Rômulo Quiroga, de Manoel de Barros)

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Só dez por cento é mentira, 2009

direção: Pedro Cezar

como se eu fosse de lá

– Desse jeito, Karina, eu tou me sentindo um pouquinho desprezado.

– Desprezo é quando a importância da pessoa escapole do pensamento da gente por conta própria, Antônio. Eu tou tangendo tua presença da minha cabeça pra dar cabimento a outras coisas.

(Antônio e Karina, interpretação de Gustavo Falcão e Mariana Ximenes)

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A Máquina, 2006

direção: João Falcão

idealismo em duelo

“Poesia e política são demais para um só homem”

(Sara, interpretação de Glauce Rocha)

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Terra em Transe, 1967

direção: Glauber Rocha

variável tempo

“Uma nova vida é como uma nova casa. Na sua idade, se constrói. Na minha, se compra pronta”

(Jacques Grumberg, interpretação de Claude Brasseur)

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Um lugar na platéia, 2006

direção: Danièle Thompson