Arquivo do autor:chris matos

no escuro

breathless

– Não sei se sou infeliz porque não sou livre, ou se não sou livre porque sou infeliz.

(Patricia Franchini, interpretação de Jean Seberg)

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Acossado, 1960

direção: Jean-Luc Godard

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vômitos da experiência

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“A gente sempre pensa que é um super-homem, que faz tudo, que pode tudo, que resolve tudo. Até o dia em que você leva um pé na bunda e aí a gente se sente perdido, fragilizado, confuso. Você não consegue ser determinado. Solitário, individual. Não consegue nem mesmo terminar um relatório de viagem. Não consegue se envolver. Você se paralisa. É isso que eu sentia. Paralisia múltipla. Por isso fiz essa viagem, pra me mover, pra voltar a caminhar. Voltar a comer o sanduíche de filé. Voltar a andar de moto. Voltar a ver o Fortaleza ganhar. Pra voltar a ir a praia no domingo. Pra voltar a viver.”

(geólogo, interpretação de Irandhir Santos)

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Viajo porque preciso, volto porque te amo, 2009

direção: Marcelo Gomes e Karim Aïnouz

ética do imperfeito

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“Todo mundo erra, sabe. Ninguém é perfeito. A questão é: o que você aprende com isso? O que fazer depois? Tudo é maravilhoso quando as coisas correm sem problemas.”

(Jack, interpretação de Sidney Pollack)

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Maridos e esposas, 1992

direção: Woody Allen

sonhos calados

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– Eu quero ir com você.

– Não fale isso se você não for.

(Jean e Véronique Chambon, interpretação de Vincent Lindon e Sandrine Kiberlain)

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Mademoiselle Chambon, 2009

direção: Stéphane Brizé

falha palavra

“Para todo mundo, o silêncio chega antes da verdade”.

(Nawal Marwan, interpretação de Lubna Azabal)

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Incêndios, 2010

direção: Denis Villeneuve

coisas que eu não disse ainda

“O olhar é a luz que sai do olho”.

(Meu velho, interpretação de José Celso Martinez Corrêa)

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Árido Movie, 2006

direção: Lirio Ferreira

o oposto do que eu disse antes

– Tá vendo? As coisas estão por aí e a gente não vê. Sabe por quê? Preconceito. As pessoas só querem ver o que deixam. É preguiça e preconceito. É por isso que eu gosto de Raul Seixas. Eu não gosto de uma opinião formada. Tá mais calmo? Pois bem. Ali, ói. Ali é um elefante. Essa aí é que foi foda. Mas eu não conseguia ver nem com a bexiga! Eu olhava, olhava… Só se for um elefante que não existe mais. Eu dizia pros velhos que me amostravam. Aí, um dia eu tinha fumado bem a erva, sabe? E fiquei admirando, admirando… Aí, percebi que era um elefante afundado na água. Tá vendo? A água no meio dele e a tromba saindo. Vê a orelha do bicho! Rapaz, foi feito uma alucinação. Porque eu pensava assim: se aquilo sempre esteve ali e eu nunca consegui ver, quanta coisa num existe pelo mundo que tá embaixo do nariz e a gente nem nem? O negócio é o seguinte: cabeça aberta e estar alerta. Se a gente pisa sem jeito, pode escorregar na imaginação. Mas é lindo, né Jonas? E é tudo seu. Mesmo que você não queira.

(Zé Elétrico, interpretação de José Dumont)

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Árido Movie, 2006

direção: Lirio Ferreira